Questão nº 12

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT4 2022 (nº 12)

FCC2022Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Engenharia (Civil)Língua Portuguesa
Gabarito: Aver comentário ↓

Atenção: Para responder às questões de números 11 a 15, considere o texto de Mario Quintana.

Velha história

Era uma vez um homem que estava pescando, Maria. Até que apanhou um peixinho! Mas o peixinho era tão pequenininho e inocente, e tinha um azulado tão indescritível nas escamas, que o homem ficou com pena. E retirou cuidadosamente o anzol e pincelou com iodo a garganta do coitadinho. Depois guardou-o no bolso traseiro das calças, para que o animalzinho sarasse no quente. E desde então ficaram inseparáveis. Aonde o homem ia, o peixinho o acompanhava a trote, que nem um cachorrinho. Pelas calçadas. Pelos elevadores. Pelo café. Como era tocante vê-los no "17"! – o homem, grave, de preto, com uma das mãos segurando a xícara de fumegante moca, com a outra lendo o jornal, com a outra fumando, com a outra cuidando do peixinho, enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava laranjada por um canudinho especial...
Ora, um dia o homem e o peixinho passeavam à margem do rio onde o segundo dos dois fora pescado. E eis que os olhos do primeiro se encheram de lágrimas. E disse o homem ao peixinho:
"Não, não me assiste o direito de te guardar comigo. Por que roubar-te por mais tempo ao carinho do teu pai, da tua mãe, dos teus irmãozinhos, da tua tia solteira? Não, não e não! Volta para o seio da tua família. E viva eu cá na terra sempre triste!..."
Dito isso, verteu copioso pranto e, desviando o rosto, atirou o peixinho n'água. E a água fez redemoinho, que foi depois serenando, serenando até que o peixinho morreu afogado...
(Mario Quintana. Eu passarinho. São Paulo: Ática, 2014)


"Não, não me assiste o direito de te guardar comigo. Por que roubar-te por mais tempo ao carinho do teu pai, da tua mãe, dos teus irmãozinhos, da tua tia solteira? Não, não e não! Volta para o seio da tua família. E viva eu cá na terra sempre triste!..." (3º parágrafo)

Ao se transpor o trecho acima para o discurso indireto, os termos sublinhados assumem as seguintes formas:

Este texto de apoio vale também pra questão nº 11, questão nº 13, questão nº 14, questão nº 15.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

No discurso indireto, os verbos do discurso direto sofrem uma "mudança de tempo" para trás: o presente vira pretérito imperfeito, e o imperativo vira pretérito imperfeito do subjuntivo. É como se a fala fosse "relatada" e não "citada".

  • (A) Correta: É o gabarito: "assiste" (presente) vira "assistia" (pretérito imperfeito do indicativo) e "Volta" (imperativo) vira "voltasse" (pretérito imperfeito do subjuntivo), exatamente a transposição padrão.
  • (B) Incorreta: "assistira" e "voltara" são pretérito mais-que-perfeito, que indicariam uma ação anterior a outra no passado, não a simples transposição do presente/imperativo.
  • (C) Incorreta: "assistiria" (futuro do pretérito) não corresponde ao presente "assiste"; o correto para o presente é "assistia", e "voltasse" está certo, mas a primeira parte derruba a alternativa.
  • (D) Incorreta: "voltava" (pretérito imperfeito do indicativo) é a pegadinha: parece certo, mas o imperativo "Volta" exige o subjuntivo "voltasse", não o indicativo.
  • (E) Incorreta: "assistiria" e "voltaria" são futuros do pretérito, que não se aplicam aqui; o presente e o imperativo não viram futuro do pretérito no discurso indireto.

Fonte: FCC TRT4 2022 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Engenharia (Civil) (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.

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