Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT22 2022 (nº 5)
Lembram-se da história de Tristão e Isolda? O enredo gira em torno da transformação da relação entre os dois protagonistas. Isolda pede à criada, Brangena, que lhe prepare uma poção letal, mas, em vez disso, ela prepara-lhe um “filtro de amor”, que tanto Tristão como Isolda bebem sem saber o efeito que irá produzir. A misteriosa bebida desperta neles a mais profunda das paixões e arrasta-os para um êxtase que nada consegue dissipar − nem sequer o fato de ambos estarem traindo infamemente o bondoso rei Mark. Na ópera Tristão e Isolda*, Richard Wagner captou a força da ligação entre os amantes numa das passagens mais exaltadas da história da música. Devemos interrogar-nos sobre o que o atraiu para essa história e por que motivo milhões de pessoas, durante mais de um século, têm partilhado o fascínio de Wagner por ela.*
A resposta à primeira pergunta é que a composição celebrava uma paixão semelhante e muito real da vida de Wagner. Wagner e Mathilde Wesendonck tinham se apaixonado de forma não menos insensata, se considerarmos que Mathilde era a mulher do generoso benfeitor de Wagner e que Wagner era um homem casado. Wagner tinha sentido as forças ocultas e indomáveis que por vezes conseguem se sobrepor à vontade própria e que, na ausência de explicações mais adequadas, têm sido atribuídas à magia ou ao destino. A resposta à segunda questão é um desafio ainda mais atraente.
Existem, com efeito, poções em nossos organismos e cérebros capazes de impor comportamentos que podemos ser capazes ou não de eliminar por meio da chamada força de vontade. Um exemplo elementar é a substância química oxitocina. No caso dos mamíferos, incluindo os seres humanos, essa substância é produzida tanto no cérebro como no corpo. De modo geral, influencia toda uma série de comportamentos, facilita as interações sociais e induz a ligação entre os parceiros amorosos.
Não há dúvida de que os seres humanos estão constantemente usando muitos dos efeitos da oxitocina, conquanto tenham aprendido a evitar, em determinadas circunstâncias, os efeitos que podem vir a não ser bons. Não se deve esquecer que o filtro de amor não trouxe bons resultados para o Tristão e Isolda de Wagner. Ao fim de três horas de espetáculo, eles encontram uma morte desoladora.
Lembram-se da história de Tristão e Isolda?
Transposto para o discurso indireto, o trecho acima assume a seguinte redação:
- AEle perguntou: vocês se lembram da história de Tristão e Isolda?
- BEle perguntou se nós nos lembrávamos da história de Tristão e Isolda. (alternativa correta)
- CEle perguntou-nos se acaso lembráramos da história de Tristão e Isolda.
- DEle pergunta a vocês se lembram da história de Tristão e Isolda.
- EEle pergunta se se lembraram da história de Tristão e Isolda.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
No discurso indireto, a fala de alguém é recontada por outra pessoa, sem aspas, adaptando-se pronomes, tempos verbais e advérbios. Para perguntas, usa-se um verbo de elocução (como "perguntar") e a conjunção "se" (para perguntas de sim/não).
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Original: Lembram-se da história de Tristão e Isolda? (Implica "Vocês se lembram...")
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Transformações necessárias:
- Introduzir um verbo de elocução (ex: "perguntou").
- Usar a conjunção "se".
- Ajustar o pronome: "vocês" (implícito no original) pode virar "nós" (se o narrador se inclui) ou "eles/elas".
- Ajustar o tempo verbal: se o verbo de elocução estiver no passado ("perguntou"), o presente do indicativo ("lembram-se") geralmente se transforma em pretérito imperfeito do indicativo ("lembrávamos").
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(A) Incorreta: Esta alternativa mantém o discurso direto, usando a pontuação e a forma original da pergunta, em vez de convertê-la para o discurso indireto.
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(B) Correta: A alternativa está correta porque:
- Usa o verbo de elocução no passado ("perguntou").
- Emprega a conjunção "se", adequada para perguntas diretas que podem ser respondidas com sim ou não.
- Ajusta o pronome "vocês" (implícito na pergunta original) para "nós", indicando que o narrador se inclui no grupo a quem a pergunta foi feita.
- Transforma o presente do indicativo ("lembram-se") para o pretérito imperfeito do indicativo ("lembrávamos"), que é a concordância verbal correta quando o verbo da oração principal (perguntou) está no passado.
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(C) Incorreta: A principal armadilha aqui é o tempo verbal "lembráramos" (pretérito mais-que-perfeito do indicativo). Embora seja um tempo passado, ele indica uma ação anterior a outra ação passada, o que não se encaixa na pergunta original que questiona sobre um estado de lembrança no presente. O correto seria o pretérito imperfeito do indicativo ("lembrávamos").
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(D) Incorreta: O verbo de elocução "pergunta" está no presente. Se a oração principal está no presente, a oração subordinada não deveria ter seu tempo verbal alterado para o passado (aqui, "lembram" está no presente, o que seria aceitável se a pergunta fosse feita no presente, mas as outras opções e o contexto implícito da questão sugerem um ato de perguntar no passado). Além disso, a forma "a vocês" é um pouco menos fluida do que a esperada.
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(E) Incorreta: O verbo de elocução "pergunta" está no presente, mas o verbo da oração subordinada ("lembraram") está no pretérito perfeito. Essa combinação de tempos verbais (presente na principal e passado na subordinada sem uma razão específica) é inconsistente na transposição para o discurso indireto.
Fonte: FCC TRT22 2022 Analista Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.