Questão nº 2

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT2 2025 (nº 2)

FCC2025Técnico Judiciário - Área AdministrativaLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

A "caixa de Pandora" é uma metáfora usada para caracterizar ações que, menosprezando o princípio da precaução, desencadeiam consequências maléficas, terríveis e irreversíveis. O mito de Pandora origina-se nos poemas épicos de Hesíodo (a Teogonia), escritos durante o século VII a.C. e considerados uma das mais antigas versões sobre a origem do Universo.

Zeus deu a Pandora, como presente de casamento, uma caixa (na Grécia antiga, um jarro), mas avisou-a para nunca a abrir, pois seria melhor deixá-la intocada. A vontade de abri-la superou qualquer precaução: coisas horríveis voaram para fora, incluindo ganância, inveja, ódio, dor, doença, fome, pobreza, guerra e morte.

Hoje em dia, a caixa de Pandora continua sendo aberta, não por pessoas desavisadas, mas por personagens que prestam serviços em nome da ciência, da política e da economia.

Aí estão os agravos à saúde da população, à biodiversidade, ao habitat dos demais seres vivos, à preservação dos ecossistemas, à própria Terra como um todo. A confiança na tecnologia como panaceia para todos os males resultou em considerar a "inteligência artificial" como opção para o declínio da "inteligência natural".

Efeitos adversos relativos ao ultraprocessamento dos alimentos, às transformações genéticas, às radiações eletromagnéticas continuam ainda pouco explorados. Entidades diversas subsidiam pesquisas científicas, desde que seus resultados respaldem, a priori, o que afirmam sobre seus métodos, produtos e ações.

Jornalistas, influenciadores e meios de comunicação social teriam que destacar os objetivos desejáveis e colocar em debate os caminhos para alcançá-los.

O resgate da Terra e o resgate da humanidade são aspectos complementares e devem ser tratados simultaneamente, no espaço e no tempo, para seu apoio mútuo.

A questão é que as mudanças dependem da adoção de novas formas de estar no mundo. Elas implicam o apoio de dimensões interdependentes: íntima (mundo pessoal); interativa (relações grupais); social (política, econômica); e biofísica (condições ambientais).

Existe uma sinergia entre todas essas dimensões: elas podem se congregar em torno de objetivos comuns (ecossistemas), ou se repetirem (ruptura e caos).

Eis aqui a caixa de Pandora.

(Adaptado de: André Francisco Pilon. Disponível em: https://jornal.usp.br. Acesso em 06/2025)


A redação alternativa de um comentário baseado em trecho do texto, em que se mantém a correção gramatical, está em:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

Para garantir a correção gramatical em uma frase, é fundamental observar a concordância (o verbo e os nomes devem combinar em número e pessoa) e a regência (a relação correta entre verbos/nomes e seus complementos), além de evitar vírgulas indevidas que separam termos essenciais da oração.

(A) Incorreta: Há um erro de concordância verbal e uma vírgula indevida. O sujeito de "caberiam explorar" são "os malefícios", que deveriam estar em concordância com o verbo ou a construção deveria ser diferente. A vírgula antes de "os malefícios" separa o verbo do seu sujeito, o que é gramaticalmente incorreto. A forma correta seria "Caberiam ser explorados com mais profundidade os malefícios..." ou "Seria cabível explorar com mais profundidade os malefícios...".
(B) Correta: A frase está gramaticalmente correta. O sujeito composto "Tanto os objetivos desejáveis como os caminhos para alcançá-los" está em perfeita concordância verbal com "deveriam ser debatidos". A estrutura passiva e o uso da conjunção correlativa "Tanto... como..." são adequados e mantêm o sentido do texto original.
(C) Incorreta: Há um erro de concordância verbal e uma vírgula indevida. O sujeito de "existem" é "relação de dependência mútua" (singular), portanto o verbo deveria ser "existe" ("Como existe entre ambas relação de dependência mútua..."). A vírgula depois de "ambas" está separando o verbo do seu sujeito, o que é um erro.
(D) Incorreta: A armadilha aqui é a concordância verbal com o pronome "se". Quando o "se" atua como partícula apassivadora, o verbo concorda com o sujeito paciente. "Os efeitos adversos" é o sujeito paciente (plural), então o verbo deveria ser "exploram" ("Pouco se exploram os efeitos adversos...").
(E) Incorreta: Há um erro de concordância verbal e uma vírgula indevida. No sentido de "ser" ou "consistir em", o verbo "tratar-se de" com o "se" como índice de indeterminação do sujeito deve permanecer na 3ª pessoa do singular ("Dizem que não se trata apenas de pessoas desavisadas..."). A vírgula antes de "a caixa de Pandora" está separando o verbo do seu complemento, o que é um erro.

Fonte: FCC TRT2 2025 Técnico Judiciário - Área Administrativa (Caderno Tipo 004). Reproduzida para fins de estudo.

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