Questão nº 6

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT-15 2018 (nº 6)

FCC2018Comum Apoio EspecializadoLíngua Portuguesa
Gabarito: Dver comentário ↓

Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 8.

  1. Sem grande aviso, o mundo digital está mudando em suas bases. O que um dia foi um meio anônimo transformou-se numa ferramenta dedicada a analisar dados pessoais.

  2. Grande parte das pessoas imaginam que, ao procurar um termo na internet, todos obteremos os mesmos resultados. No entanto, hoje isso já não é verdade. Agora, obtemos o resultado que um filtro personalizado sugere ser melhor para cada usuário específico.

  3. Durante algum tempo, parecia que a internet iria redemocratizar a sociedade. “Jornalistas cidadãos” iriam reconstruir os meios de comunicação. Os governos locais se tornariam mais transparentes. Contudo, esses tempos de conectividade cívica com os quais eu tanto sonhava ainda não chegaram.

  4. A democracia exige que os cidadãos enxerguem as coisas pelo ponto de vista dos outros; em vez disso, estamos cada vez mais fechados em nossas próprias bolhas. A democracia exige que nos baseemos em fatos compartilhados; no entanto, estão nos oferecendo universos distintos e paralelos.

  5. Naturalmente, há boas razões para que os filtros personalizados sejam tão fascinantes. Somos sobrecarregados por uma torrente de informações. Eric Schmidt costuma ressaltar que, se gravássemos toda a comunicação humana desde o início dos tempos até 2003, precisaríamos de 5 bilhões de gigabytes para armazená-la. Agora, criamos essa mesma quantidade de dados a cada dois dias.

  6. Tudo isso levará ao colapso da atenção. Somos cada vez mais incapazes de processar tanta informação. Nossa concentração se desvia da mensagem de texto para as principais notícias e daí para o e-mail. A tarefa de examinar essa torrente cada vez mais ampla em busca das partes realmente importantes, ou apenas relevantes, já demanda dedicação integral. Assim, quando os filtros personalizados oferecem uma ajuda, tendemos a aceitá-la.

  7. Deixados por conta própria, os filtros de personalização servem como uma espécie de autopropaganda invisível, doutrinando-nos com nossas próprias ideias, amplificando nosso desejo por coisas conhecidas e nos deixando alheios aos perigos ocultos no território do desconhecido. Na bolha dos filtros, há menos espaço para os encontros fortuitos que proporcionam novas percepções e aprendizados.

  8. A criatividade muitas vezes é atiçada pela colisão de ideias surgidas em disciplinas e culturas diferentes. Por definição, um mundo construído a partir do que é familiar é um mundo no qual não temos nada a aprender. Se a personalização for excessiva, poderá nos impedir de entrar em contato com experiências e ideias capazes de mudar o modo como pensamos.

  9. Das megacidades à nanotecnologia, estamos criando uma sociedade cuja complexidade ultrapassa os limites da compreensão individual. Os problemas que enfrentaremos nos próximos vinte anos – escassez de energia, terrorismo, mudança climática – têm uma abrangência enorme. Os primeiros entusiastas da internet esperavam que a rede fosse uma nova plataforma para enfrentarmos esses problemas. Acredito que ainda possa ser.

  10. Mas, antes, precisamos entender as forças que estão levando a internet em sua direção atual, personalizada. Precisamos entender as forças econômicas e sociais que movem a personalização, algumas inevitáveis, outras não. E precisamos entender o que tudo isso representa para a política, a cultura e o futuro. E como a bolha dos filtros distorce a percepção do que é importante, verdadeiro e real, é fundamental torná-la visível.

(PARISER, Eli. O filtro invisível: O que a internet está escondendo de você. Trad. Diego Alfaro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor Ltda, 2012. Edição digital)


Considerado o contexto, está correto o que consta de:

Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4, questão nº 5, questão nº 7, questão nº 8.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" (ou "as"), ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos (aquela, aquele, aquilo). Ela ocorre quando o termo anterior exige a preposição "a" e o termo posterior aceita o artigo "a".

(A) Incorreta: A substituição de "for" (futuro do subjuntivo) por "fosse" (pretérito imperfeito do subjuntivo) exigiria a alteração do verbo da oração principal de "poderá" (futuro do presente do indicativo) para "poderia" (futuro do pretérito do indicativo) para manter a concordância verbal correta na estrutura condicional.

(B) Incorreta: O segmento "para as principais notícias" expressa uma ideia de direção ou destino ("se desvia de X para Y"), e não de finalidade (propósito ou objetivo).

(C) Incorreta: O verbo "baseemos" está no presente do subjuntivo, enquanto o verbo "obteremos" está no futuro do presente do indicativo. Eles estão em tempos e modos verbais diferentes.

(D) Correta: A expressão "dedicada a analisar dados pessoais" não leva crase porque "analisar" é um verbo no infinitivo (não ocorre crase antes de verbos). No entanto, ao substituir por "análise de dados pessoais", temos: "dedicada a (preposição exigida por 'dedicada') a (artigo que antecede o substantivo feminino 'análise') análise de dados pessoais". A fusão da preposição com o artigo resulta em crase: "dedicada à análise de dados pessoais".

(E) Incorreta: Na frase, "para que" é uma locução conjuntiva final, e "que" é uma conjunção subordinativa. Substituir "que" por "as quais" (um pronome relativo) alteraria a estrutura gramatical e o sentido da oração, transformando uma oração subordinada adverbial final em uma oração subordinada adjetiva.

Fonte: FCC TRT-15 2018 Conhecimentos Comuns (Apoio Especializado) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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