Questão nº 4
Questão de Língua Portuguesa · FCC TJ-SC 2021 (nº 4)
Atenção: Para responder às questões de números 1 a 6, baseie-se no texto abaixo.
A crônica em sua função
A palavra crônica é conhecida e designa um gênero de texto. Vem por vezes acompanhada de adjetivo: política, esportiva, social, policial etc. Se vier desacompanhada de qualquer qualificativo, é porque ela serve a um cronista não especializado, um escritor de linguagem cativante que pode falar de qualquer coisa que desperte o interesse do leitor. Não há jornal ou revista que dispense esse tipo de cronista. Que função terá essa modalidade de crônica, livre que está para abordar não importa o que seja?
Quando, ao ler um jornal, nos detemos nela, é porque sabemos que a mão do escritor, com leveza de estilo, com algum humor, com um mínimo de sabedoria e perspicácia, nos conduzirá por um texto que nos poupa da gravidade dos grandes assuntos da política ou da economia e chamará nossa atenção para algum assunto que, não sendo manchete, diz respeito à nossa vida pequenina, ao nosso cotidiano, aos nossos hábitos, aos nossos valores mais íntimos. Uma crônica pode falar de uma dor de dente, de um incidente na praia, de um caso de amor, de uma viagem, de um momento de tédio ou até mesmo da falta de assunto. O importante é que o cronista faça de seu texto um objeto hipnótico, do qual não se consegue tirar os olhos. Para isso, há que haver talento.
Entre nós, pontifica até hoje o nome do cronista Rubem Braga (1913-1990). É uma unanimidade: todos o consideram o maior de todos, o mestre do gênero. De fato, Rubem Braga cumpriu com excelência o alcance de um cronista: deu-nos poesia, reflexão, análise, lucidez, ironia, humor − tudo numa linguagem de exemplar clareza e densidade subjetiva. A crônica de Rubem Braga cumpriu à perfeição o papel fundamental desse gênero literário pouco homenageado. Nas palavras do crítico Antonio Candido, uma crônica “pega o miúdo da vida e mostra nele uma grandeza, uma beleza ou uma singularidade insuspeitadas. Isto acontece porque ela não tem a pretensão de durar, uma vez que é filha do jornal e da era da máquina, onde tudo acaba tão depressa”. O crítico não tem dúvida em considerar que as boas crônicas, “por serem leves e acessíveis talvez comuniquem, mais do que poderia fazer um estudo intencional, a visão humana do homem na sua vida de todo dia”. Não é pouca coisa. Vida longa aos bons cronistas.
(Jeremias Salustiano, inédito)
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 5, questão nº 6.
- Adesigna um gênero de texto (1º parágrafo) = arbitra um componente textual.
- Bnos poupa da gravidade (2º parágrafo) = dispensa-nos da austeridade. (alternativa correta)
- Cdiz respeito à nossa vida pequenina (2º parágrafo) = incita à pequenez do saber.
- Dhá que haver talento (2º parágrafo) = dispor-se a valorizar, se possível.
- Ecumpriu à perfeição o papel (3º parágrafo) = difundiu bem seu dom.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Para traduzir adequadamente o sentido de um segmento do texto, buscamos uma frase alternativa que mantenha o mesmo significado essencial, ou seja, que seja sinônima ou semanticamente equivalente no contexto dado.
- A) Incorreta: "Designa" significa nomear ou indicar, enquanto "arbitra" significa julgar ou decidir. Os termos não são sinônimos.
- B) Correta: "Poupar da gravidade" significa livrar-nos da seriedade ou do peso de algo. "Dispensar da austeridade" significa isentar-nos da severidade ou rigidez. Ambas as expressões transmitem a ideia de aliviar ou afastar de algo sério/pesado, sendo semanticamente equivalentes no contexto.
- C) Incorreta: "Diz respeito à nossa vida pequenina" significa que o assunto se refere ao nosso cotidiano e aspectos pessoais. "Incita à pequenez do saber" sugere um estímulo à ignorância ou à limitação do conhecimento, o que é um sentido completamente diferente e negativo, não presente no original. A armadilha aqui é confundir "vida pequenina" (cotidiana, pessoal) com "pequenez do saber" (falta de conhecimento).
- D) Incorreta: "Há que haver talento" expressa uma necessidade ou obrigação (é preciso que haja talento). "Dispor-se a valorizar, se possível" indica uma disposição ou vontade condicional, o que altera completamente o sentido de obrigatoriedade.
- E) Incorreta: "Cumpriu à perfeição o papel" significa que a crônica desempenhou sua função de forma impecável. "Difundiu bem seu dom" significa que o cronista espalhou bem sua habilidade, o que não é o mesmo que cumprir um papel ou função.
Fonte: FCC TJ-SC 2021 Conhecimentos Comuns (Superior TJSC 2021) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.