Questão nº 2
Questão de Língua Portuguesa · FCC TJ-MA 2019 (nº 2)
Atenção: Para responder às questões de números 1 a 6, baseie-se no texto abaixo.
[Os nomes e os lugares]
É sempre perigoso usar termos geográficos no discurso histórico. É preciso ter muita cautela, pois a cartografia dá um ar de espúria objetividade a termos que, com frequência, talvez geralmente, pertencem à política, ao reino dos programas, mais que à realidade. Historiadores e diplomatas sabem com que frequência a ideologia e a política se fazem passar por fatos. Rios, representados nos mapas por linhas claras, são transformados não apenas em fronteiras entre países, mas fronteiras “naturais”. Demarcações linguísticas justificam fronteiras estatais.
A própria escolha dos nomes nos mapas costuma criar para os cartógrafos a necessidade de tomar decisões políticas. Como devem chamar lugares ou características geográficas que já têm vários nomes, ou aqueles cujos nomes foram mudados oficialmente? Se for oferecida uma lista alternativa, que nomes são indicados como principais? Se os nomes mudaram, por quanto tempo devem os nomes antigos ser lembrados?
As decisões políticas que cabem aos cartógrafos impõem-se quando
Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 3, questão nº 4, questão nº 5, questão nº 6.
- Aum acidente geográfico passa a apresentar novas configurações físicas.
- Brazões de caráter estético interferem no processo de nomeação.
- Ca nomeação que lhes cabe identificará um posicionamento em face da história. (alternativa correta)
- Dsua carreira científica acaba sendo influenciada por razões eleitorais.
- Eas escolhas técnicas encontram um ponto de equilíbrio imune às pressões sociais.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O conceito-chave aqui é que a cartografia, embora pareça objetiva, está profundamente ligada à política e à ideologia, especialmente na escolha e representação dos nomes de lugares. As "decisões políticas" dos cartógrafos surgem quando eles precisam decidir qual nome usar, entre vários existentes ou históricos, para um local.
- (A) Incorreta: O texto não foca em novas configurações físicas, mas na escolha de nomes para lugares que já existem ou cujos nomes foram alterados, o que implica uma decisão sobre qual história ou política prevalecerá.
- (B) Incorreta: O texto enfatiza razões políticas, ideológicas e históricas para a nomeação, sem mencionar qualquer interferência de caráter estético.
- (C) Correta: O texto questiona "Como devem chamar lugares ou características geográficas que já têm vários nomes, ou aqueles cujos nomes foram mudados oficialmente?" e "Se os nomes mudaram, por quanto tempo devem os nomes antigos ser lembrados?". Essas escolhas de nomeação são atos políticos que definem qual narrativa histórica será apresentada no mapa, ou seja, um posicionamento em face da história.
- (D) Incorreta: O texto discute a natureza política das decisões de nomeação, mas não relaciona isso à carreira científica dos cartógrafos ou a razões eleitorais pessoais.
- (E) Incorreta: O texto afirma que a cartografia dá "um ar de espúria objetividade a termos que... pertencem à política", indicando que as escolhas não são imunes, mas sim profundamente influenciadas por pressões sociais e políticas.
Fonte: FCC TJ-MA 2019 Conhecimentos Comuns (Analista) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.