Questão nº 17
Questão de História de Mato Grosso · FCC PGE-MT 2016 (nº 17)
FCC2016Técnico – PGE - Técnico AdministrativoHistória de Mato Grosso
Gabarito: Bver comentário ↓
Durante o período colonial, o abastecimento dos vilarejos e arraiais na região do Mato Grosso, distantes dos núcleos de poder colonial, ocorria, em geral, por meio
- Adas trocas comerciais nas fronteiras, entres colonos brancos do lado espanhol e do lado português que navegavam livremente os rios da Bacia do Prata e seus afluentes, indiferentes ao Tratado de Tordesilhas.
- Bdo sistema de monções, mediante o qual mercadorias, roupas, utensílios e pessoas chegavam aos vilarejos em embarcações que percorriam os rios da região conformando um amplo circuito. (alternativa correta)
- Cda prática do malón, um comércio clandestino, que contava com a participação acordada entre índios e espanhóis, estabelecendo rotas informais de contrabando para o fornecimento de mercadorias aos povoados isolados.
- Ddo comércio instituído entre as missões e as reduções jesuíticas que promoviam a troca das “drogas do sertão” e de produtos cultivados pelos indígenas por artefatos, pólvora e mercadorias úteis à sobrevivência dessas comunidades.
- Edas “entradas”, cujo objetivo era garantir a intercomunicação entre os povoados mais longínquos, a fim de assegurar o domínio português e a permanência de núcleos de população branca.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O abastecimento de vilarejos e arraiais no Mato Grosso colonial dependia de um sistema fluvial complexo, que transportava pessoas e mercadorias por longas distâncias, superando as dificuldades geográficas.
- (A) Incorreta: Embora pudesse haver algum comércio informal nas fronteiras, as trocas com colonos espanhóis na Bacia do Prata não constituíam o principal sistema de abastecimento interno para os vilarejos portugueses no Mato Grosso, e o Tratado de Tordesilhas era, em teoria, respeitado pelas coroas, mesmo que na prática houvesse incursões.
- (B) Correta: O sistema de monções era a principal forma de abastecimento e comunicação para a região do Mato Grosso. Expedições fluviais anuais, aproveitando as cheias dos rios, partiam de São Paulo e chegavam aos vilarejos, trazendo mercadorias essenciais (roupas, ferramentas, alimentos não produzidos localmente) e pessoas, e levando ouro e outros produtos de volta, formando um circuito vital.
- (C) Incorreta: O malón era uma prática de ataque e saque, geralmente realizada por grupos indígenas contra assentamentos coloniais (espanhóis ou portugueses), ou entre grupos indígenas, com o objetivo de obter bens, gado ou cativos. Não se tratava de um "comércio clandestino acordado" ou de um sistema regular de abastecimento para os povoados isolados portugueses. A armadilha aqui é a menção a "comércio clandestino" e "rotas informais", que pode soar plausível para regiões isoladas, mas o termo malón se refere a algo diferente e não era o sistema de abastecimento.
- (D) Incorreta: As missões jesuíticas (especialmente as espanholas) tinham seu próprio sistema de produção e troca, mas não eram o principal fornecedor de mercadorias gerais para os vilarejos e arraiais portugueses no Mato Grosso. O comércio das "drogas do sertão" era mais associado a outras regiões e missões, e não o sistema de abastecimento para a maioria dos povoados coloniais portugueses.
- (E) Incorreta: As "entradas" eram expedições de exploração, busca por riquezas (ouro, pedras preciosas), captura de indígenas ou reconhecimento territorial. Embora pudessem estabelecer alguma comunicação e reforçar o domínio, seu objetivo principal não era o abastecimento regular e contínuo de mercadorias para os povoados já existentes, como o sistema de monções fazia.
Fonte: FCC PGE-MT 2016 Técnico – PGE - Técnico Administrativo (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.