Questão nº 9
Questão de Língua Portuguesa · FCC PGE-AM 2022 (nº 9)
Todos os jovens vivem a angústia da escolha de uma profissão. É provável que muitos já tenham intuído um campo profissional. São estudantes que desde o Fundamental gostam de disciplinas de ciências humanas, biológicas, exatas; ou artes e literatura. Não são áreas de conhecimento isoladas; de algum modo, comunicam-se entre si. Além disso, a imaginação é uma capacidade inerente a qualquer pessoa, com ou sem formação profissional.
Não são poucos os cientistas, médicos e engenheiros que se tornaram ficcionistas, poetas, ensaístas. Cito apenas dois exemplos: o engenheiro e poeta Joaquim Cardozo e o médico e escritor Pedro Nava. Ambos exerceram sua profissão ao longo da vida, mas o engenheiro e o médico encontraram na poesia e na prosa linguagens para expressar um modo particular de ver o mundo.
No Brasil, quando um estudante universitário deseja mudar de curso ou de área de conhecimento, é necessário prestar mais um vestibular. Isso pode ocorrer logo no primeiro ou no segundo ano da faculdade ou mesmo depois, em pleno exercício da profissão.
Mas a pior coisa para um jovem indeciso é a pressão dos pais para que siga essa ou aquela profissão. Lembro que, ao terminar uma palestra numa escola particular, uma estudante quis conversar sobre a escolha do curso universitário. O pai a pressionava a estudar medicina, e ela queria ser atriz. Então mencionei o caso de uma conhecida, que se formou em medicina, concluiu um doutorado em cardiologia, e poucos anos depois percebeu que sua paixão era a arte da cerâmica. Hoje ela é uma exímia ceramista.
Diante de filhos indecisos quanto à escolha profissional, os pais não devem pensar apenas na vantagem financeira ou no suposto prestígio de uma profissão. Quando um jovem reflete sobre o significado da vida, o que está em jogo é a própria variedade da vida, com suas ambiguidades e dúvidas.
No romance Pais e Filhos*, de Ivan Turguêniev, dois amigos – Arkádi e Bazárov – conversam sobre a infância, a passagem do tempo, a natureza, o amor, a família, os princípios morais... Em certo momento, Arkádi diz ao amigo:*
"É preciso construir nossa vida de modo que cada momento seja significativo".
"Perfeito!", diz Bazárov. "Mas também é possível resignar-se ao que não tem significado... porém as brigas por mesquinharias... isto sim é uma desgraça."
A orientação dos pais é importante, mas cabe ao jovem descobrir o que lhe será mais significativo na vida.
(Adaptado de: HATOUM, Milton. Disponível em: https://cultura.estadao.com.br)
É preciso construir nossa vida de modo que cada momento seja significativo (7º parágrafo).
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será:
- Afoi construída.
- Bconstrua-se.
- Cseria construída.
- Dseja construída. (alternativa correta)
- Econstruir-se-ia.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Para transformar uma frase da voz ativa para a voz passiva, o objeto direto da voz ativa se torna o sujeito da voz passiva, e o verbo principal da voz ativa é substituído por uma locução verbal passiva (verbo "ser" + particípio passado do verbo principal). O tempo e o modo verbais devem ser mantidos, ou ajustados conforme a estrutura da frase.
A frase original é: "É preciso construir nossa vida de modo que cada momento seja significativo".
A parte a ser transposta para a voz passiva é "construir nossa vida".
- O verbo na voz ativa é "construir" (infinitivo).
- O objeto direto é "nossa vida".
Ao transpor para a voz passiva:
- O objeto direto "nossa vida" se torna o sujeito da voz passiva.
- O verbo "construir" deve ser transformado para a voz passiva, concordando com "nossa vida".
- A expressão "É preciso" geralmente exige que a oração subsequente esteja no modo subjuntivo quando há uma transformação para a voz passiva analítica. Assim, "É preciso construir nossa vida" se torna "É preciso que nossa vida...".
- A forma passiva de "construir" para "nossa vida" (feminino singular) no presente do subjuntivo é "seja construída".
- (A) Incorreta: "foi construída" está no pretérito perfeito do indicativo, alterando o tempo verbal da frase original, que expressa uma necessidade presente/futura ("É preciso").
- (B) Incorreta: "construa-se" é uma forma de voz passiva sintética (com o pronome "se") no presente do subjuntivo. Embora seja uma forma passiva, a questão pede a forma verbal resultante da transposição, e a voz passiva analítica (ser + particípio) é a transformação mais direta e completa do verbo ativo para a passiva, especialmente quando o objeto direto se torna o sujeito explícito. Além disso, na estrutura "É preciso que se construa nossa vida", "nossa vida" ainda funciona como objeto paciente do verbo "construa", enquanto na voz passiva analítica, "nossa vida" é o sujeito gramatical.
- (C) Incorreta: "seria construída" está no futuro do pretérito (condicional), alterando o tempo e o modo verbais da frase original.
- (D) Correta: "seja construída" é a forma verbal resultante correta. Ela é composta pelo verbo auxiliar "ser" no presente do subjuntivo ("seja") e o particípio passado do verbo principal "construir" ("construída"), concordando em gênero e número com o novo sujeito "nossa vida". Essa forma se encaixa perfeitamente na estrutura "É preciso que nossa vida seja construída".
- (E) Incorreta: "construir-se-ia" está no futuro do pretérito (condicional) com o pronome "se", alterando o tempo e o modo verbais da frase original.
Fonte: FCC PGE-AM 2022 Conhecimentos Comuns (Técnico C) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.