Questão nº 3
Questão de Língua Portuguesa · CESGRANRIO Transpetro PSP-RH-2018.1 (nº 3)
"Guerra" virtual pela informação
A internet quebrou a rígida centralização no fluxo mundial de dados, criando uma situação inédita na história recente. As principais potências econômicas e militares do planeta decidiram partir para a ação ao perceberem que seus segredos começam a ser divulgados com facilidade e frequência nunca vistas antes.
As mais recentes iniciativas no terreno da espionagem virtual mostram que o essencial é o controle da informação disponível no mundo - não mais guardar segredos, mas saber o que os outros sabem ou podem vir a saber. Os estrategistas em guerra cibernética sabem que a possibilidade de vazamentos de informações sigilosas é cada vez maior e eles tendem a se tornar rotineiros.
A datificação, processo de transformação em dados de tudo o que conhecemos, aumentou de forma vertiginosa o acervo mundial de informações. Diariamente circulam na web pouco mais de 1,8 mil petabytes de dados (um petabyte equivale a 1,04 milhão de gigabytes), dos quais é possível monitorar apenas 29 petabytes.
Pode parecer muito pouco, mas é um volume equivalente a 400 vezes o total de páginas web indexadas diariamente pelo Google e 156 vezes o total de vídeos adicionados ao YouTube a cada 24 horas.
Como não é viável exercer um controle material sobre o fluxo de dados na internet, os centros mundiais de poder optaram pelo desenvolvimento de uma batalha pela informação. O manejo dos grandes dados permite estabelecer correlações entre fatos, dados e eventos, com amplitude e rapidez impossíveis de serem alcançados até agora.
Como tudo o que fazemos diariamente é transformado em dados pelo nosso banco, pelo correio eletrônico, pelo Facebook, pelo cartão de crédito etc., já somos passíveis de monitoração em tempo real, em caráter permanente. São esses dados que alimentam os softwares analíticos que produzem correlações que servem de base para decisões estratégicas.
Em conformidade com o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa vigente, atendem às regras de acentuação todas as palavras em:
- Aandróide, odisseia, residência
- Barguição, refém, mausoléu (alternativa correta)
- Cdesbloqueio, pêlo, escarcéu
- Dfeiúra, enjoo, maniqueísmo
- Esutil, assembléia, arremesso
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Acentuação é sobre a sílaba tônica (a mais forte) e as regras que dizem quando ela precisa de um acento gráfico. Palavras oxítonas (última sílaba forte) levam acento em -a, -e, -o (com "s" ou não) e em -em/-ens; paroxítonas (penúltima forte) só levam acento quando não terminam em -a, -e, -o, -em, -ens; proparoxítonas (antepenúltima forte) sempre levam acento. Além disso, o Acordo Ortográfico de 2009 aboliu o acento em ditongos abertos -éi/-ói de paroxítonas (ex.: ideia, jiboia) e em -êem/-ôo (ex.: enjoo, voo), e também o trema (exceto em nomes próprios).
- (A) Incorreta: andróide e odisseia são paroxítonas com ditongo aberto -ói/-éi — o Acordo de 2009 removeu o acento dessas palavras (agora é androide e odisseia); residência é proparoxítona aparente (paroxítona terminada em ditongo crescente) e leva acento, mas a alternativa já falha nas duas primeiras.
- (B) Correta: arguição é oxítona terminada em -ão (leva acento); refém é oxítona terminada em -em (leva acento); mausoléu é oxítona terminada em -éu (leva acento) — todas seguem regras vigentes e não foram alteradas pelo Acordo.
- (C) Incorreta: desbloqueio é paroxítona com ditongo -ei (não leva acento, pois o acento em -éi de paroxítona foi abolido); pêlo perdeu o acento diferencial (agora é pelo, sem acento); escarcéu é oxítona em -éu e está correta, mas a alternativa falha nas duas primeiras.
- (D) Incorreta: feiúra perdeu o acento (agora é feiura, pois o hiato -i/u após ditongo não é mais acentuado); enjoo perdeu o acento (agora é enjoo, sem acento no -oo); maniqueísmo está correto (hiato -i tônico precedido de vogal), mas a alternativa falha nas duas primeiras.
- (E) Incorreta: sutil é oxítona terminada em -l (não leva acento, pois a regra só acentua oxítonas em -a, -e, -o, -em); assembléia perdeu o acento (agora é assembleia, ditongo -ei sem acento); arremesso é paroxítona terminada em -o (não leva acento) — todas estão erradas.
Armadilha da banca na alternativa (A): o aluno vê andróide e odisseia e lembra que "tinham acento" antes, mas o Acordo de 2009 removeu o acento desses ditongos abertos em paroxítonas — a banca conta com quem não atualizou a grafia pós-reforma.
Fonte: CESGRANRIO Transpetro PSP-RH-2018.1 Conhecimentos Comuns (Nível Médio). Reproduzida para fins de estudo.