Questão nº 3

Questão de Língua Portuguesa II · CESGRANRIO BANESE 01/2025 (nº 3)

CESGRANRIO2025Comum Técnico Bancário IIILíngua Portuguesa II
Gabarito: Ever comentário ↓

A psicologia da inteligência artificial no mercado financeiro

A utilização da IA no mercado financeiro é, sem dúvida, uma inovação poderosa, trazendo consigo a promessa de transformar radicalmente a maneira como os mercados operam. Uma das principais vantagens da IA é sua capacidade de analisar grandes quantidades de dados em tempo real. Segundo Agrawal, Gans e Goldfarb (2019) em The Economics of Artificial Intelligence: An Agenda, a IA oferece uma eficiência inigualável na execução de transações e na gestão de portfólios, o que pode resultar em maior precisão e redução de custos operacionais para as instituições financeiras. Além disso, a capacidade da IA de operar sem a influência de emoções é uma das suas vantagens mais notáveis.

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Em um mercado em que decisões rápidas e racionais são essenciais, a IA se destaca por sua capacidade de tomar decisões baseadas exclusivamente em algoritmos e dados objetivos, eliminando o impacto de vieses cognitivos que frequentemente prejudicam a tomada de decisões humanas. Investidores e gestores de fundos, por exemplo, muitas vezes caem em armadilhas psicológicas, como o excesso de confiança ou o efeito de ancoragem, que podem levar a decisões que não apresentam a melhor qualidade possível além de perdas financeiras. A IA, por outro lado, é projetada para minimizar esses riscos, oferecendo uma abordagem mais racional e consistente para a tomada de decisões.

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No entanto, a introdução da IA no mercado financeiro também apresenta desafios significativos. Um dos problemas mais críticos é a chamada "caixa preta" dos algoritmos de IA, na qual as decisões são tomadas com base em processos complexos que são frequentemente opacos para os humanos. Isso levanta questões éticas e de responsabilidade, especialmente quando as decisões automatizadas levam a resultados adversos.

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A falta de transparência nos modelos de IA pode criar uma situação a partir da qual não se consegue entender completamente como e por que certas decisões foram tomadas, o que é particularmente preocupante em um contexto em que erros ou vieses podem ter consequências significativas. Os algoritmos de IA podem perpetuar e até amplificar desigualdades sistêmicas, e certos grupos podem ser penalizados, ou favorecidos, exacerbando as disparidades econômicas e criando um ambiente de incerteza e desconfiança. Além disso, há um risco real de que a "desumanização" das finanças possa resultar em uma falta de discernimento contextual. As condições de mercado podem mudar rapidamente e exigir uma resposta adaptativa que vai além do que os algoritmos de IA foram programados para considerar.

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Outro aspecto crucial é o impacto da IA na percepção de controle e confiança dos investidores. Quando as decisões de investimento são automatizadas, eles podem sentir que perderam o controle sobre suas próprias finanças. Essa sensação de alienação pode levar a uma diminuição da confiança nas decisões tomadas em seu nome, mesmo que essas decisões sejam baseadas em análises robustas e imparciais. A falta de confiança pode levá-los a evitar oportunidades de mercado promissoras, subutilizando o potencial de suas carteiras e impactando negativamente o desempenho financeiro a longo prazo.

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Além disso, a ascensão da IA no mercado financeiro levanta questões sobre a substituição do trabalho humano por máquinas, um tópico de grande relevância psicológica e social. A IA, com sua capacidade de executar tarefas com eficiência e precisão, pode tornar redundantes muitas das funções que antes exigiam habilidades humanas especializadas.

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À medida que o mercado financeiro continua a evoluir com a integração da IA, é importante que esses fatores sejam considerados para garantir que a tecnologia seja utilizada de maneira ética e eficaz, sem comprometer a integridade do processo decisório e o bem-estar psicológico dos indivíduos envolvidos.

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No trecho "Essa sensação de alienação pode levar a uma diminuição da confiança nas decisões tomadas em seu nome, mesmo que essas decisões sejam baseadas em análises robustas e imparciais" (parágrafo 5), a conjunção que apresenta o mesmo valor semântico que mesmo que é

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

Conceito-chave: A conjunção mesmo que é uma concessiva: ela introduz uma ideia de contraste/oposição que não impede o fato principal. Ou seja, expressa “apesar de”. Para acertar, o aluno deve procurar a alternativa que também seja concessiva, e não confundir com conjunções de causa, condição, tempo ou conclusão.

  • (A) Incorreta: Portanto é uma conjunção conclusiva (indica conclusão, “por isso”), não expressa contraste.
  • (B) Incorreta: Contanto (que) é uma conjunção condicional (equivale a “desde que”), indica uma condição para algo acontecer, não uma oposição.
  • (C) Incorreta: Enquanto é uma conjunção temporal (indica tempo, “durante o tempo que”) ou, em alguns casos, proporcional; não tem valor concessivo.
  • (D) Incorreta: Porquanto é uma conjunção explicativa/causal (equivale a “porque”, “pois”), indica causa, não contraste.
  • (E) Correta: Conquanto é uma conjunção concessiva, exatamente sinônima de mesmo que (“apesar de que”, “embora”). A armadilha da banca aqui é que conquanto é uma palavra rara e formal, que muitos alunos desconhecem; por isso, tendem a chutar uma alternativa mais comum (como “portanto” ou “porquanto”), sem perceber que a banca testa justamente o vocabulário formal das conjunções concessivas.

Fonte: CESGRANRIO BANESE 01/2025 Conhecimentos Comuns (Técnico Bancário III) (Caderno Prova B). Reproduzida para fins de estudo.

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