Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE SUSEP 2025 (nº 6)
Creio que, em geral, deixando de lado a opinião dos especialistas, damos demasiada importância à opinião dos outros, tanto em assuntos cruciais quanto em assuntos de pequena monta. A regra básica é que uma pessoa deve respeitar a opinião pública apenas o suficiente para não morrer de fome nem ir para a cadeia. Tudo o que passar desse ponto significa submeter-se voluntariamente a uma tirania desnecessária, e, possivelmente, isso é o que acaba interferindo na própria felicidade.
Examinemos, por exemplo, a questão de como as pessoas gastam seu dinheiro. Elas o gastam naquilo que não satisfaz seus gostos pessoais, simplesmente porque acreditam que o respeito dos vizinhos depende de terem carro ou de abrirem suas residências para jantares. Na verdade, uma pessoa que possa claramente comprar um carro, mas que prefira gastar o dinheiro em viagens ou numa boa biblioteca, acabará sendo muito mais respeitada do que se houvesse feito exatamente como todas as outras. Não há sentido em zombar deliberadamente da opinião pública; isso é admitir seu domínio, ainda que às avessas. Mas ser autenticamente indiferente a ela é uma força e uma fonte de felicidade. E uma sociedade de homens e mulheres que não se submetem demasiadamente aos convencionalismos é mais interessante do que uma sociedade em que todos se comportam da mesma maneira.
Bertrand Russell. A conquista da felicidade. Tradução: Luiz Guerra. 5. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2017 (com adaptações).
A respeito das ideias e de aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens que se seguem.
No trecho "mais interessante do que uma sociedade" (último período do texto), o termo "do" poderia ser eliminado sem prejuízo da correção gramatical e da coerência das ideias do texto.
Resposta comentada
Em comparações, o "do que" pode aparecer inteiro ("mais interessante do que uma sociedade") ou só com "que" ("mais interessante que uma sociedade") — as duas formas são corretas. O "do" não é obrigatório; ele só reforça a comparação, e sua retirada não muda o sentido nem quebra a gramática.
- Correta: Certo. "Mais interessante do que uma sociedade" e "mais interessante que uma sociedade" são igualmente corretas; o "do" é dispensável.
Fica de olho: a banca costuma inverter a pegadinha dizendo que a retirada do "do" causa erro gramatical ou altera o sentido — aí o item viraria Errado. Guarde: em comparativos, "do que" e "que" são intercambiáveis; só não vale eliminar o "que" (isso sim quebraria a estrutura).
Fonte: CEBRASPE SUSEP 2025 Conhecimentos Comuns (Analista Técnico SUSEP 2025). Reproduzida para fins de estudo.