Questão nº 72
Questão de Antropologia Forense · CEBRASPE PF 2025 (nº 72)
Em relação ao processamento de locais de crime com remanescentes humanos em condições especiais, julgue os itens a seguir.
Nos casos com vítimas carbonizadas, é importante coletar material derretido no local, como plásticos e vidros, pois assim é possível pesquisar o ponto de fusão dos materiais e estimar a temperatura do incêndio e seus efeitos.
Resposta comentada
O conceito-chave aqui é que a ciência forense não se limita a analisar o corpo da vítima, mas também os vestígios do ambiente para reconstruir a dinâmica do evento. No caso de carbonização, o corpo pode estar tão destruído que não revela a temperatura exata do fogo, mas os materiais inorgânicos derretidos (plástico, vidro, metal) funcionam como "termômetros" físicos: cada material tem um ponto de fusão específico (ex.: vidro comum derrete ~600°C, alumínio ~660°C). Ao analisar quais materiais derreteram e quais não, o perito estima a faixa de temperatura atingida no incêndio, o que ajuda a diferenciar um incêndio acidental de um criminoso (usando acelerantes, que geram temperaturas diferentes).
- Correta: Certo. A coleta desses materiais derretidos é procedimento padrão, pois a análise do ponto de fusão permite estimar a temperatura e a intensidade do fogo, auxiliando na reconstrução do sinistro e na validação de hipóteses sobre a causa.
Fica de olho: A banca adora inverter a lógica, afirmando que "materiais derretidos são contaminantes e devem ser descartados" ou que "a análise deve focar apenas no corpo da vítima". Outra pegadinha comum é dizer que a coleta serve para "identificar o material" (o que é secundário), quando o objetivo real é estimar a temperatura — se o item trocar a finalidade (identificação vs. temperatura), ele se torna errado.
Fonte: CEBRASPE PF 2025 Perito Criminal Federal - Antropologia Forense. Reproduzida para fins de estudo.