Questão nº 103
Questão de Antropologia Forense · CEBRASPE PF 2025 (nº 103)
Um dos objetivos do exame inicial do cadáver é a estimativa do tempo decorrido desde a morte, a partir da decomposição cadavérica. A esse respeito, julgue os itens subsecutivos.
Segundo entendimento já consolidado na literatura científica a respeito da decomposição de cadáveres carbonizados, o calor, ao eliminar grande parte das bactérias, diminui a velocidade de decomposição e gera uma sobreestimativa do intervalo post-mortem.
Resposta comentada
O conceito-chave aqui é o intervalo post-mortem (IPM) — o tempo que passou desde a morte até o exame do corpo. Em cadáveres carbonizados, o fogo age como um "esterilizador": mata a maioria das bactérias que causariam a decomposição rápida (putrefação). Como a decomposição fica mais lenta, o corpo parece estar "menos deteriorado" do que realmente está para o tempo real decorrido — ou seja, o perito olha para aquele estado e estima um tempo menor do que o verdadeiro, o que é uma sobreestimativa (ele "chuta" que a morte foi mais recente do que foi).
- Correta: Certo. O calor reduz a ação bacteriana, retardando a decomposição; logo, o cadáver parece mais "fresco" do que deveria, fazendo o perito superestimar o IPM (achar que morreu há menos tempo).
Fica de olho: A pegadinha clássica é inverter o raciocínio, afirmando que o calor acelera a decomposição (porque "queima" o corpo) e, portanto, gera uma subestimativa do IPM. Na verdade, a carbonização destrói tecidos externos, mas o processo biológico de putrefação interna fica mais lento pela falta de bactérias — e a banca cobra exatamente essa distinção entre dano físico pelo fogo e decomposição biológica.
Fonte: CEBRASPE PF 2025 Perito Criminal Federal - Antropologia Forense. Reproduzida para fins de estudo.