Questão nº 79
Questão de História Mundial · CEBRASPE IRBR 2026 (nº 79)
No mundo acadêmico de língua inglesa, os debates em torno do conceito de Early Modern History passaram a ser mais consensuais alguns anos à frente, prova de que a periodização não é apenas uma questão central, mas também sensível da historiografia. Até hoje, não se estabeleceu um consenso absoluto no que diz respeito aos marcos cronológicos dessa época. De modo análogo, o início do período designado como Late Modern, ou simplesmente Modern, costuma ser marcado em mais de um momento: meados do século XVIII, com o Iluminismo ou, mais tardiamente, com os acontecimentos e consequências da Revolução Francesa, entendidos em geral como o pilar político e intelectual da Modernidade; na virada do século XVIII para o século XIX, ainda com a primeira Revolução Industrial e o começo da guinada hegemônica do capitalismo, focando, assim, nas transformações socioeconômicas; ou somente após as primeiras décadas do século XIX, quando já se anunciavam as feições políticas dos Estados-nação e as garras do imperialismo, ou quando os resquícios do regime feudal desapareciam de fato.
Como se pode ver, a variedade de termos e balizas cronológicas na criação de um período é resultado de uma operação historiográfica que convida historiadores e historiadoras, leitores e leitoras a investigar o vigor ou a tibieza do passado histórico na definição do tempo presente.
Julgue os itens a seguir, a partir do texto precedente.
André de Melo Araújo et al. (org.). A Época Moderna: Uma introdução. In: A Época Moderna. Petrópolis, RJ: Vozes, 2024, p. 13 (com adaptações).
Embora a Revolução Industrial seja predominantemente interpretada como um processo nacional identificado com a Grã-Bretanha e, em menor escala, os Países Baixos, a economia asiática nos setecentos era também pujante, o que permite pensar a formação da economia mundial moderna por uma chave policêntrica.
Resposta comentada
A Revolução Industrial costuma ser contada como um fenômeno britânico (e um pouco holandês), mas isso é só um recorte. No século XVIII, a Ásia — sobretudo China (Qing) e Índia (Mughal, depois fragmentada) — tinha economias enormes, manufaturas têxteis e redes comerciais robustas, integradas ao comércio global. Ou seja, a economia mundial moderna não nasceu de um único centro; ela se formou em várias praças ao mesmo tempo, o que os historiadores chamam de leitura policêntrica (poli = vários; cêntrica = centros).
- Correta: Certo. Reconhece que a industrialização inglesa foi hegemônica, mas não exclusiva: a pujança asiática setecentista sustenta a tese de formação policêntrica da economia mundial.
Fica de olho: a banca costuma inverter para "a Revolução Industrial foi o único motor da economia mundial, tornando a Ásia periférica já no século XVIII" — isso é errado, porque ignora a força econômica asiática anterior à hegemonia industrial europeia.
Fonte: CEBRASPE IRBR 2026 Diplomata (Terceiro Secretário). Reproduzida para fins de estudo.