Questão nº 75
Questão de História Mundial · CEBRASPE IRBR 2026 (nº 75)
Desde a Segunda Guerra Mundial, o ordenamento externo do poder norte-americano tem sido, em grande medida, mantido à parte do sistema político interno. Uma perspectiva comum e a continuidade dos objetivos separam a administração do império do governo da terra natal. Até certo ponto, o contraste entre os dois é uma função da distância geral entre o horizonte das chancelarias ou corporações e o dos cidadãos em todas as democracias capitalistas. No caso norte-americano, isso decorre também de outras duas particularidades locais: o provincianismo de um eleitorado com conhecimentos mínimos do mundo externo e um sistema político que ― em contradição com os pais fundadores ― tem cada vez mais dado um poder virtualmente irrestrito ao Executivo na condução dos assuntos externos.
Tendo o texto precedente como referência inicial, julgue os itens a seguir, relativos à história estadunidense no século XX.
Perry Anderson. Império. In: A política externa norte-americana e seus teóricos.
São Paulo: Boitempo, 2015, p. 11 (com adaptações).
A entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial representou um consenso do establishment da Costa Leste, composto pelas elites econômicas, políticas e intelectuais do país, que fundiu o nacionalismo isolacionista ao nacionalismo intervencionista, criando condições para o imperialismo norte-americano.
Resposta comentada
A entrada dos EUA na 2ª Guerra não foi um "raio em céu azul": foi articulada por um establishment (a elite que circula entre Wall Street, o governo e as grandes universidades — sobretudo da Costa Leste) que já vinha costurando a passagem do isolacionismo (ideia de "não nos metermos nas guerras europeias") para o intervencionismo (entrar no conflito e projetar poder global). Essa fusão deu base política e ideológica ao imperialismo norte-americano no pós-guerra, exatamente como o texto de Perry Anderson sugere ao falar de um "ordenamento externo" separado do debate interno.
- Correta: Certo. O item reproduz a tese de que a decisão de entrar na guerra expressou um consenso das elites (econômicas, políticas e intelectuais) que uniu nacionalismo isolacionista e intervencionista, abrindo caminho para a projeção imperial dos EUA.
Fica de olho: a banca costuma torcer isso para o lado oposto — dizendo que a entrada na guerra foi pressão popular espontânea ou decisão isolada de Roosevelt contra o establishment, ou ainda que o isolacionismo foi abandonado por completo (quando o que houve foi sua fusão com o intervencionismo, não sua eliminação).
Fonte: CEBRASPE IRBR 2026 Diplomata (Terceiro Secretário). Reproduzida para fins de estudo.